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Vigilância Sanitária notifica e idosos podem ficar sem abrigo em Paripe



Vigilância Sanitária notifica e idosos podem ficar sem abrigo em Paripe
Foto: Bocão News

O anjo emoldurado guarda os portões fechados para garantir a segurança de 148 idosos. Mas, o tempo não perdoa. Na 1ª Travessa Bela Vista, em Tubarão, Paripe, as entradas da Casa de Repouso Bom Jesus correm risco de serem bloqueadas definitivamente, após 11 anos de funcionamento.
 

O endereço, que vive de doações, recebeu uma notificação da Vigilância Sanitária (Visa) em que constam 25 itens carentes de reparos tão emergenciais quanto a situação de quem vive no abrigo. A contagem regressiva termina em 10 de outubro, prazo estipulado pelo órgão fiscalizador.
 

Desde 11 de setembro, os 20 degraus da escada que separa o térreo do primeiro pavimento, e o necrotério transformado em enfermaria, estão entre os problemas que tornaram-se menores do que a sentença de fechamento da casa de repouso, expedida em um documento de quatro páginas.
 

Com uma palavra, o administrador do lar para idosos, Luís Santana, define o momento em que ele, funcionários e velhinhos – ainda que alheios ao impasse – estão submetidos. “Desespero”, diz Santana, entre lágrimas.


Na lista de adequações, estão a acessibilidade plena para pessoas com dificuldades de locomoção, quartos com ocupação máxima por quatro pessoas e espaçamento mínimo entre camas, além de banheiros separados por gênero, e organização geral da enfermaria.
 

“Sou o primeiro a ter vontade de fazer todas as adaptações, mas temos muitas limitações. A casa é mantida por meio de doações e não temos patrocinadores, nem apoio de órgãos públicos”, lamenta o administrador do abrigo.
 

Para agravar a situação, Santana lembra que não pode firmar convênios com secretárias municipais e estaduais, em razão da burocracia. “Não tenho uma certidão trabalhista, que é obrigatória”, ressalta ele, que está impedido de conseguir a emissão do documento.
 

“Uma ex-funcionária entrou com ação trabalhista contra a Casa de Repouso e pede indenização de R$ 75 mil. Por causa da falta de acordo e do não pagamento do que ela exige, não temos como conseguir a certidão”, expõe Santana.
 

O prazo para resolução dos problemas apontados pela Visa será questionado pela advogada da instituição, Theodora Sampaio. “Vou pedir a extensão do prazo e pedir apoio do Ministério Público estadual, além de ver o que é possível atender de imediato”, ressalta.


A subcoordenadora municipal da Visa, Karina Queiroz, reforça que segue as diretrizes da política nacional para idosos. “Nosso trabalho é em cima das normas sanitárias para abrigo de idosos. É preciso oferecer uma estrutura física compatível, além de atender a outros protocolos. Essa é a primeira fase de avaliação da Casa de Repouso Bom Jesus”, disse.
 

De acordo com ela, o abrigo tem dado retorno sobre as recomendações feitas pela vigilância sanitária. “A gente tem recebido informações que serão compatibilizadas até o retorno de técnicos ao local. Em última instância, serão tomadas medidas mais duras. A intenção é caminhar com projeto educativo para que altere a realidade que já existe”, relata Karina.
 

Em Salvador, há 42 abrigos para idosos. Apenas um é público. “Todos esses locais estão sendo submetidos à apresentação das normas de cuidados de idosos. Em algumas questões de risco maior vamos ter que fazer intervenções”, alerta a subcoordenadora.


Casa em números
 

A reportagem percorreu as estruturas do imóvel com nove quartos, cujo aluguel é de R$ 6,3 mil por mês. Além da sede, outras duas casas anexas custam R$ 750 e R$ 540 mensais. “Uma das casas é só para idosos vítimas de abuso sexual”, evidencia Santana. O lar, diz o administrador, está com ocupação acima da capacidade. “Tenho estrutura para atender até 110, mas cuido de 148 e não posso colocar ninguém para fora”, conta, em meio ao choro.
 

Santana relata que administra 60% dos benefícios pagos pelo INSS aos idosos. “A outra parte não recebe por falta de documentos. Os benefícios são negados porque não sou representante legal. Chega a levar três anos para conseguir interditar um idoso”.


Ao meio dia, a fila começa a se formar para a distribuição do almoço. Cada idoso faz seis refeições por dia, um total de 888, sem contar a alimentação dos funcionários. São 18 quilos de arroz e 600 pães por dia, além de 17 botijões de gás, em média, por mês.


No quadro de colaboradores estão 2 enfermeiros, 15 técnicos de enfermagem, 32 cuidadores, 1 assistente social, 6 auxiliares de serviços gerais, 3 lavadeiras, 2 cozinheiras, 3 auxiliares administrativos. “Não tenho condições. Se recebesse todos os benefícios, daria um alívio”, define Santana, que paga, em média, R$ 1,3 mil de energia e R$ 900 de água.


Como ajudar
 

Interessados em doar de roupas, alimentos, medicamentos, dinheiro, material de construção e mão de obra têm os seguintes meios para ajudar:
 

Casa de Repouso Bom Jesus
1ª Travessa Bela Vista, 15 – Tubarão (Perto do final de linha)
Contatos: 71 8517 -0803 | 8325 -9383 (Luís Santana)
Falar com Luís Santana
 

Voluntariado Esab Eutectic
Contatos: 71 4102-1213 | 9106-5604 | 9977-1723 (Ricardo Ling)
 
 
Kikante
www.kinante.com.br
Link: http://migre.me/rzGnD
Título da campanha: “Mãos à Obra – Ajude a Casa de Repouso Bom Jesus a ficar de portas abertas”

Informações Bocão News

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