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Descarte irregular de material reciclável prejudica reaproveitamento

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A prática da separação e limpeza dos materiais recicláveis facilita a seleção pelos catadores, diminui o volume do lixo, reduz os casos de acidentes, evita a manifestação de insetos e roedores, além de criar hábitos que devem ser incorporados pela população e praticados pelo resto da vida. As cooperativas de materiais recicláveis cadastradas pela Prefeitura, através da Secretaria Cidade Sustentável (Secis), ainda se deparam com descartes irregulares de materiais recicláveis dia após dia.

Cada tipo de resíduo tem um processo próprio de reciclagem. Na medida em que vários tipos de resíduos sólidos são misturados, sua reciclagem se torna mais cara ou mesmo inviável, pela dificuldade de separá-los de acordo com sua constituição ou composição. O processo industrial de reciclagem de uma lata de alumínio, por exemplo, é diferente de uma caixa de papelão. Para facilitar, a Secis mantém cerca de 150 Postos de Entrega Voluntária (PEVs), as chamadas “caixas azuis”, nas vias públicas e praças da cidade.

De acordo com o presidente da cooperativa União, Cristiano Alves, o ideal seria que as pessoas separassem, lavassem e até mesmo identificassem os materiais. “Quando a comunidade pratica e abraça a causa, tudo fica melhor. É necessário que as pessoas tenham em mente que o descarte incorreto pode gerar acidentes, além do material não ser reaproveitado por causa da mistura com os outros resíduos, como óleo e leite, por exemplo”, explica o gestor. 

Na cooperativa Coopcicla, onde são coletados materiais como garrafas pet, latinha de alumínio, plástico filme, metal, óleo de cozinha, ferro, cobre, chumbo, papelão, papel branco e papel misto, o problema é o mesmo. Segundo Márcio Silva, agente da Coopcicla há 15 anos, o material que chega tem de passar por uma triagem. Em seguida, os produtos que podem ser reutilizados passam por um processo de prensagem e, então, são comercializados com empresas que reutilizam para outros fins, como a produção de camisas, sabão, biodiesel, novas embalagens de papelão e garrafas plásticas, entre outros produtos.

Tudo o que não serve para reaproveitamento vira resíduo comum. “No momento em que a sociedade não faz a separação adequada, aquele resíduo deixa de servir para a coleta seletiva e a Prefeitura é obrigada a reenviá-lo para o aterro sanitário”, assegura o cooperador da Coopcicla, Márcio Silva. Ele também alerta para o descarte de materiais que podem causar acidentes, como agulhas, lâminas e vidros. Ele pede ainda maior atenção com os produtos que estejam com restos de alimentos.

“Sempre recomendamos que as pessoas lavem esses materiais para que não atraiam ratos e outros animais. Já os que podem causar acidentes, é necessário que sejam colocados em uma garrafa pet ou outro tipo de compartimento e que esteja identificado”, explanou o cooperador. A Secis garante o apoio na disponibilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) para as cooperativas cadastradas pelo órgão. “Depois que a Coopcicla foi cadastrada pela Prefeitura, tivemos uma diminuição nos casos de acidentes, já que a Secis tem buscado um melhor aparelhamento para os funcionários”, reconhece Márcio Silva.

Atitudes sustentáveis – Mudanças sutis no descarte doméstico de lixo podem acarretar ganhos substanciais para o meio ambiente. O reaproveitamento de uma única lata de alumínio, por exemplo, economiza energia suficiente para manter uma televisão ligada por, aproximadamente, três horas. Já uma tonelada de papel reciclado economiza 10 mil litros de água e evita o corte de 17 árvores adultas.