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Conheça Zózimo, baiano criado em Plataforma e bicampeão do mundo



Conheça Zózimo, baiano criado em Plataforma e bicampeão do mundo
Foto: Reprodução | iBahia

Zózimo Alves Calazans, ou simplesmente Zózimo. Baiano, nascido em 19 de junho de 1932, criado em Salvador, mais precisamente no bairro de Plataforma. Se você nasceu após o final da década de 60, provavelmente não ouviu falar dele, mas a verdade é que, antes do meio do campo e na frente do goleiro, era ele quem mandava. Zagueiro revelado pelo Bangu Atlético Clube, do Rio de Janeiro, Zózimo foi um dos grandes defensores da Seleção Brasileira. 

 

Atleta diferenciado - Após uma breve passagem pelo São Cristóvão-RJ, ainda novo, aos 17 anos, chegou no Bangu para ganhar o mundo. Mesmo sem a visibilidade de clubes como Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo, os grandes do Rio, conseguiu títulos importantes com um time que, em tempos de outrora, ainda conseguia revelar bons nomes para a vitrine do futebol.

 

Segundo o jornalista Jorge Sanmartin, que acompanhou parte da carreira do soteropolitano, tratava-se de um canhoto diferenciado. "Eu ví Zózimo jogando no Bangu entre os anos de 55 e 60 e alguma coisa. Ele era um zagueiro negro, alto, com bom biotipo para a época. Era o chamado jogador clássico, não era de dar porrada. Ele chegava junto, tinha boa técnica", disse ele em entrevista ao iBahia.

 

De personalidade serena, jogou no clube carioca de 1952 a 1964, mas apesar de ter chegado a marca de 466 partidas e conquistado títulos, segundo um site não oficial do clube, não figura na página de ídolos da página oficial ao lado de nomes como Zagallo, Ademir da Guia e Zizinho. Os dois primeiros, por sinal, passaram até pouco tempo vestindo as cores da equipe. Zózimo chegou ao ápice da carreira entre os anos de 1958 e 1962, quando foi convocado para as Copas da Suécia e do Chile. Sagrou-se bicampeão do mundo, sendo o primeiro título no banco de reservas e o segundo como titular, ao lado de Mauro Ramos, nas duas oportunidades.

 

"Pena que não tenha jogado na Bahia, porque na época não existia um trabalho de divisão de base. Ele foi conhecido no Brasil, era famoso. Era um sujeito muito discreto, não gostava de aparecer. O Bangu não era um time de multidões, mas tinha cacife para colocar jogadores na Seleção", completou Sanmartin.

 

Outro que teve a chance de vivenciar um pouco da era Zózimo foi Antônio Borges, mais conhecido como Barriguinha. Morador de Plataforma e afilhado da irmã do jogador, ele contou que não viu muito o zagueiro baiano, mas possui ótimas referências. "Ele era um cara pacato. Morreu em um acidente de trânsito no Rio quando eu ainda era criança. Era um negão vistoso, daqueles 'vinil' mesmo (risos). Não bebia, não se envolvia em polêmica, era simples. Cresceu na rua 24 de outubro, em Plataforma, vizinho a mim. Temos um grau de parentesco".

 

Boas lembranças - O pesquisador Galdino Silva não chegou a ver o baiano entrar em campo, mas guarda as referências nas palavras de seu pai. "Meu pai dizia que era um zagueiro clássico, tinha uma categoria muito grande. Era leal, técnico. Estava mais próximo à Bellini (zagueiro titular e capitão da Seleção em 58), que saía com a bola dominada, tinha boa impulsão, era bom na bola aérea. Pelas fotos que vi, ele passa a imagem de uma pessoa serena", relatou.

 

Também pesquisador, Aloildo Gomes chegou a vê-lo em poucas oportunidades, mas se lembra bem da elegância do atleta em campo. "Vi pouquíssimas vezes no estádio João Hora, em Aracaju. O Bangu estava fazendo uma excursão pelo Nordeste. Ele tinha uma característica forte, que era a elegância. Era o jogador que menos se sujava em campo, o que não quer dizer que não se doava, mas sim que sempre jogava limpo. Era um quarto zagueiro. Faleceu indo para o treino do Campo Grande, equipe do Rio de Janeiro que ele treinava", disse.

 

Pequena mancha - Entretanto, a vida de Zózimo também tem um capítulo polêmico. Em 1965, quando chegou ao Flamengo, jogou somente quatro ou cinco partidas. Ele teria se envolvido em um suposto caso de suborno e não saiu bem do Rubro-negro carioca.

 

"Houve um episódio quando ele jogou no Flamengo, que ele saiu mal de lá. Falou-se muito sobre isso na época e isso ajudou a abreviar a carreira dele como jogador. Na época comentaram que ele teria facilitado um jogo do Flamengo, mas não me lembro muito, até porque a memória já se aposentou. O caso saiu em algumas revistas do passado, como a Gazeta Ilustrada, a Gazeta Esportiva...", lembrou Jorge Sanmartin.

 

O caso, contudo, nunca teve um desfecho, já que nunca se provou a culpa ou inocência de Zózimo. Após curtas passagens também por Fluminense, Portuguesa e Esportiva de Guaratinguetá, foi parar no Peru, onde teve seus últimos anos de carreira com passagens por Sporting Cristal e Sport Boys, entre 1966 e 1969. Voltou ao Brasil, mas morreu no dia 17 de julho de 1977, aos 45 anos. Pela Seleção, conquistou também a Taça do Atlântico, em 1956; a Taça Oswaldo Cruz (4 vezes) em 1955, 1956, 1958 e 1962 e a Taça Bernardo O'Higgins, em 1955. Os familiares em primeiro grau de Zózimo hoje vivem no Rio de Janeiro.

Fonte: iBahia

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