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Comitiva da ONU e Delegação Jamaicana visitam a Base Comunitária de Segurança do Rio Sena

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Comitiva da ONU e Delegação Jamaicana visitam a Base Comunitária de Segurança do Rio Sena
Foto: Amanda Oliveira/GOVBA

A relação de confiança e cooperação entre a Polícia Militar e a comunidade do bairro de Rio Sena, onde vivem 16 mil pessoas, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, chamou a atenção de uma comitiva formada por sete representantes do governo da Jamaica, dois do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e uma do Itamaraty.


As ações do programa Pacto pela Vida foram apresentadas na manhã desta quarta-feira (28), durante uma visita à Base Comunitária de Segurança, instalada no bairro em 2012, proporcionando uma redução de mais de 50% no número de homicídios na região. Pela tarde, eles se reúnem com representantes de diversas secretarias de Estado, na sede do Ministério Público da Bahia.


A representante do Instituto de Planejamento do governo da Jamaica, Delores Wade, disse que o Pacto pela Vida é um grande programa, cheio de lições e exemplos bem sucedidos. “Nós solicitamos o currículo de capacitação dos policiais militares que fazem o trabalho comunitário na Bahia, e estamos negociando a possibilidade de fazer um intercâmbio entre os nossos policiais e os baianos. Nós já tentamos estabelecer o policiamento comunitário na Jamaica, mas não tivemos os mesmos resultados”, comparou.


Relação entre polícia e comunidade


Delores avalia que as estratégias utilizadas na Bahia são bastante interessantes. “A relação entre a Polícia Militar e a comunidade é muito importante porque nós reconhecemos que a nossa polícia está afastada do público. É preciso deixar de usar apenas métodos agressivos, para que comunidade e polícia se tornem amigos e desenvolvam uma relação de confiança. É isso o que precisamos mudar. A polícia aqui está atenta aos fatores de risco e aos problemas sociais, e isto nos foi bem demonstrado”. 


Para a representante, será possível aproveitar o modelo porque há uma grande identidade entre as culturas baiana e jamaicana. “Nós temos em comum a música, o interesse pelo esporte, e temos também dificuldades sociais semelhantes, que precisamos combater todos os dias na Jamaica. Em particular, em Kingston, cidade irmã de Salvador, há problemas de qualidade de vida, moradia, saúde, emprego. Então, temos muito o que cooperar”.


Unicef destaca boas práticas 


A visita começou com demonstrações de percussão, capoeira, karatê e outras atividades proporcionadas pela base. Gabriel Pena dos Santos Silva, 10 anos, mesmo sendo um dos mais novos do grupo de percussão, comandou o ritmo. “Desde os 8 anos eu estou estudando música aqui. Quero continuar na música e estudar mais”, garantiu. 


Chefe de Cooperação Sul-Sul do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Michelle Barron avalia que o trabalho de policiamento comunitário desenvolvido pelo Estado é um exemplo a ser disseminado. “Jamaica e Bahia são muito parecidos culturalmente. E este programa, Pacto pela Vida, é de boas práticas que os países podem aprender”.


Para Michelle, a receptividade da comunidade se destaca. “O que chama a atenção é a dedicação que a Polícia Militar tem para seu trabalho comunitário, mudando realmente a vida das pessoas”. 


Principais projetos


O Comandante da Base Comunitária de Rio Sena, capitão Vicente Augusto, falou sobre alguns dos trabalhos sociais oferecidos pelo Pacto pela Vida. “O Karatê do Saber atende 160 jovens e já trouxe 21 medalhas, inclusive de campeonato brasileiro. O judô beneficia mais 50 pessoas, oferecemos aula de manutenção de microcomputadores para 20 adolescentes, de violão para mais 30 crianças, tai chi chuan para oitenta pessoas da terceira idade. Também temos o Universidade para Todos, por meio da Secretaria da Educação, estamos com curso de corte e costura, tudo trazido a partir da implantação da base".


Coordenador de policiamento comunitário da Polícia Militar da Bahia, o tenente-coronel Admar Fontes destaca que a região de Rio Sena é um modelo de relação entre polícia e população. “O resultado mais importante é a integração e a parceria com a comunidade, que nós consideramos ímpar, sem igual. Cada bairro tem uma cultura, mas aqui as pessoas abraçaram o Pacto pela Vida. E isso fez com que os índices de violência abaixassem muito aqui na região. 


População aprova a iniciativa


Quem mora no bairro sabe a dificuldade de manter a família sem o apoio do Estado. Marlene Santana, 51, mora há 23 anos em Rio Sena, com o esposo e uma filha de dez anos. “Com a implantação da base melhorou muito. Tem menos violência, tem atividades para as crianças, é muito bom. Minha filha é uma das atletas do projeto Karatê do Saber”.
 

O professor de capoeira, Ed Carlos Souza, disse que, com o apoio da Base Comunitária de Segurança, o grupo atende cerca de 70 alunos. “Com o esporte nós podemos fazer o resgate destas crianças e jovens que vivem em uma comunidade onde a marginalidade influi muito. A base comunitária nos auxilia incentivando o nosso trabalho ao mesmo tempo em que nos dá proteção”.

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